segunda-feira, 16 de agosto de 2010

3ª TAREFA DO DESAFIO DA REDE

 Pessoal, agora vamos conhecer a história de D., o nome foi abreviado para garantir o sigilo da identidade de nosso caso. Leiam sua história e pensem quais poderiam ter sido as intervenções que deveriam ter sido feitas para que o final da história fosse diferente, e agora trabalhando com esta realidade, o que poderia ser feito com D. Boa Leitura!


O caso de D.

D. trabalhava desde os 6 anos na rua vendendo balas no semáforo. Ganhava cerca de R$ 20,00 por mês, devido ao trabalho, saiu da escola.  Sua mãe alcoólatra e usuária de cigarro, agredia-o fisicamente constantemente e obrigava-o a pedir dinheiro na rua para que ela pudesse fazer uso de seus vícios.
O dinheiro era pouco e a fome era presença constante em sua vida. D. nunca conheceu o pai, D. tinha dois sonhos: um era ser borracheiro e o outro rapper mas nunca havia conseguido tal oportunidade.
O tempo foi passando e suas irmãs, logo encontraram uma maneira de sair daquela vida de privações e acabaram por tornar-se garotas de programa, não demorou até que uma delas, vitimizada  pela falta de acesso a informação, contraísse o vírus do HIV e viesse a falecer logo depois.
Dentro desse contexto, não foi difícil até que D. cedesse as ofertas dos colegas e fizesse uso de maconha. Logo passou a consumir cocaína.
Aos 13 anos, já consumia cocaína quase todos os dias e sua relação com a droga já estava se estreitando.
Um dia, a caminho da casa de um amigo, enquanto ouvia uma música do Racionais MC´S, foi pego pela polícia com 1 g de cocaína e assim acabou por parar na casa de internação para adolescentes que infringiram a lei.
Dentro da casa de internação, conheceu Farofa e Cabelo, já internados pela segunda vez devido ao tráfico de drogas, os amigos contaram a D todas as vantagens do tráfico, o dinheiro, o poder, as mulheres e já faziam planos para retomar os negócios assim que saíssem e convidaram D. para que lhe acompanhasse. D. agradeceu, mas negou, dizendo que saindo dali iria atrás de seu sonho: ser borracheiro.
Após 45 dias, D, sai da casa de internação e foi atrás de seu sonho, consegue emprego em uma borracharia, mas chegando lá, o dono, o coloca para limpar os banheiros do local, o que o revolta de tal forma que D. decide procurar Farofa e Cabelo e passe a se envolver e trabalhar com o tráfico.
As pessoas da comunidade passaram a recriminá-lo e excluí-lo, a mãe cada vez mais distante e embriagada não se dava conta dos delitos cometidos pelo filho e ainda obrigava-o a lhe dar dinheiro.
D. ainda tinha outro sonho, queria aprender a fazer rap e rimas, na sua comunidade havia uma ONG que começou a oferecer tal oficina, D. ficou empolgado e foi logo se inscrever, pensou consigo: “se me tornar um grande rapper, posso sair do crime!”, mas seu sonho logo foi por água abaixo outra vez: o tal projeto social, exigia que para estar inscrito em uma oficina, deveria estar matriculado na escola.
D. outra vez volta frustrado para casa e começa a se envolver cada vez mais com o tráfico e o crime organizado.
Começou então a ter crises de ansiedade devido aos medos constantes: da policia, dos inimigos, dos vizinhos  e da pressão que o tráfico exercia sobre sua vida, logo passou a ter dores no fígado, mas D. não sabia a quem recorrer.
Por vezes, pretendeu largar o tráfico, mas ao procurar emprego exigiam-lhe escolaridade mínima, curso profissionalizante e experiência, tudo o que D. não tinha.
E aos 17 anos D. já se encontrava em ascensão no tráfico, mas sempre com o desejo de retomar a vida pacata de antes.

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